Política

Novos áudios: Agente Bomba revela que Cícero retiraria chefes da polícia para facilitar esquema com facções desarticulado na Operação Perfidus

Novos desdobramentos da Operação Perfidus, que investiga um suposto esquema envolvendo policiais da Paraíba e integrantes do tráfico…

| | 5 min de leitura | Atualizado: 01/10/2026 14h54

Novos desdobramentos da Operação Perfidus, que investiga um suposto esquema envolvendo policiais da Paraíba e integrantes do tráfico de drogas, trouxeram à tona áudios que mencionam o candidato ao Governo da Paraíba Cícero Lucena (MDB).

As gravações, extraídas do celular do policial investigado Everton Aires, conhecido como “Bomba”, mostram conversas com Junior Lira, também investigado. Nos diálogos, Bomba afirma que, caso Cícero fosse eleito governador, haveria mudanças no comando da Polícia Civil da Paraíba, incluindo a saída do delegado-geral André Rabelo e do coordenador da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Diego Beltrão.

Segundo o áudio, essas alterações reduziriam a pressão sobre o grupo investigado.

“Esse povo está com os dias contados. Quando João entregar a cadeira, eles saem. E se Cícero for governador, ele já disse que vai botar todo mundo para fora. Aí a pressão diminui muito”, diz um trecho da gravação atribuída a Bomba.

Em resposta, Junior Lira afirma que pretendia intensificar o apoio à candidatura de Cícero.

“Eu vou trabalhar, adesivar carro, pedir voto. Quem eu conhecer vai ser do lado de Cícero”, afirmou.

De acordo com o Ministério Público, o grupo investigado é suspeito de utilizar a estrutura do Estado para desviar drogas apreendidas, repassar informações sigilosas a organizações criminosas, manipular procedimentos policiais e comercializar entorpecentes, inclusive dentro do sistema prisional.


As revelações surgem um dia após a Operação Zona de Influência, da Polícia Federal, que teve como alvos integrantes do MDB e pessoas ligadas à gestão municipal de João Pessoa. Entre os investigados estão o deputado estadual Caio Roberto (MDB) e o secretário do Procon-JP, Junior Pires, em apuração sobre suposta negociação de apoio político com integrantes de facções criminosas.

O caso também ocorre em meio às ações que questionam as candidaturas de Janine Lucena, candidata à suplência de senador, e Dinho Dowsley, candidato a deputado estadual, em processos que tratam de supostas ligações com organizações criminosas. As acusações seguem em análise pela Justiça Eleitoral.

Relação com investigações anteriores

A reportagem também relembra operações anteriores que envolveram pessoas ligadas ao grupo político de Cícero Lucena.

Na Operação Mandare, a Polícia Federal investigou suspeitas de que integrantes de facções buscavam influência e cargos na administração municipal de João Pessoa. Na ocasião, Janine Lucena, então secretária executiva de Saúde, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Já na Operação Território Livre, a PF apurou suposto aliciamento de eleitores em áreas dominadas por facções criminosas e a utilização de cargos públicos como contrapartida por apoio político. Durante a investigação, Lauremília Lucena, esposa de Cícero Lucena, e sua assessora Tereza Cristina Barbosa Albuquerque chegaram a ser presas.

Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal a Cícero Lucena em relação aos fatos mencionados nas investigações, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

 

 

O que diz a Coligação de Cícero

A coordenação jurídica da campanha de Cícero Lucena divulgou uma nota sobre o caso, apontando que o áudio seria manipulado. Além disso, declararam que os veículos “poderão ser responsabilizados, na forma da legislação aplicável”.

Leia nota na íntegra:

A Coordenação Jurídica da coligação “Para a Paraíba Dar o Próximo Passo” repudia veementemente a divulgação, nas redes sociais, de um áudio notadamente falso e manipulado, em mais uma tentativa de associar o nome do candidato Cícero Lucena a práticas criminosas.

A coligação ressalta que foi a própria campanha de Cícero Lucena que denunciou a tentativa de criminosos de se infiltrarem na DRACO, cobrando publicamente das autoridades os devidos esclarecimentos e providências.

Diante da gravidade da manipulação e dos riscos provocados pela disseminação de conteúdo falso durante o processo eleitoral, a Coordenação Jurídica já acionou a Justiça Eleitoral para que os responsáveis pela criação e divulgação do áudio sejam identificados e responsabilizados nos termos da lei.

A coligação alerta ainda que veículos de comunicação, sites, perfis e demais canais que reproduzirem ou derem publicidade ao conteúdo sabidamente falso e manipulado também poderão ser responsabilizados, na forma da legislação aplicável.

Coordenação Jurídica
Coligação “Para a Paraíba Dar o Próximo Passo”

 

Fonte: Portal Pop Notícias

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